- Entender todos os componentes que formam o custo mensal de uma contratação doméstica
- Diferenciar salário, encargos trabalhistas e provisões futuras
- Calcular quanto realmente sairá do orçamento familiar todos os meses
- Planejar uma contratação sem comprometer sua organização financeira
- Utilizar o cálculo correto antes de formalizar a contratação
Depois de definir a modalidade da contratação, as responsabilidades da vaga, o perfil profissional e a jornada de trabalho, falta responder apenas uma pergunta: quanto essa contratação realmente custará para a sua família?
É muito comum pensar assim: “Vou pagar R$ 2.000 de salário.” Mas essa não é a pergunta correta. A pergunta correta é: quanto essa contratação custará todos os meses? O salário representa apenas uma parte desse valor.
Muitas famílias combinam um salário, pagam apenas ele por meses, e descobrem depois — em uma rescisão ou fiscalização — que deveriam ter recolhido FGTS, INSS e provisionado 13º e férias desde o primeiro mês.
O custo da contratação possui três partes
| Grupo | O que representa |
|---|---|
| Remuneração | Valores pagos pelo trabalho realizado |
| Encargos | Obrigações legais do empregador |
| Provisões | Reservas para direitos que serão pagos futuramente |
Passo 1 — Defina a remuneração
O primeiro passo é definir o salário da contratação. O salário não pode ser inferior ao salário mínimo nacional vigente. Para o nosso exemplo: Salário mensal = R$ 2.000,00. Esse será o ponto de partida de todos os demais cálculos.
Passo 2 — Calcule os encargos trabalhistas
Além do salário, o empregador doméstico possui algumas obrigações legais:
| Encargo | Percentual | Cálculo | Valor |
|---|---|---|---|
| INSS Patronal | 8% | 2.000 × 8% | R$ 160,00 |
| FGTS | 8% | 2.000 × 8% | R$ 160,00 |
| Seguro acidente de trabalho | 0,8% | 2.000 × 0,8% | R$ 16,00 |
| FGTS indenização compensatória | 3,2% | 2.000 × 3,2% | R$ 64,00 |
| Total de encargos | R$ 400,00 | ||
Os valores de encargos fazem parte do custo da contratação, mas não são pagos diretamente à trabalhadora. Correspondem a obrigações legais do empregador, como contribuições previdenciárias e depósitos destinados a garantir direitos trabalhistas.
Passo 3 — Calcule o vale-transporte, quando aplicável
Diferente do salário e dos encargos, o vale-transporte não é um valor fixo: ele só é devido quando a funcionária pede por escrito e precisa de transporte público para chegar ao trabalho. Diaristas (que trabalham até 2 dias por semana) não têm esse direito.
| Cálculo | Valor |
|---|---|
| Custo das passagens necessárias (exemplo) | R$ 300,00 |
| Desconto máximo permitido (6% do salário-base) | R$ 120,00 |
| Parte que fica por conta do empregador | R$ 180,00 |
O empregador adianta o valor integral das passagens e pode descontar no máximo 6% do salário-base — o restante (no exemplo, R$ 180,00) é um custo real da família, sem incidência de FGTS ou INSS sobre esse valor. Se a contratação não tiver direito a vale-transporte, é só desconsiderar essa linha no Passo 6.
Esse benefício não é obrigatório por lei para o empregado doméstico — diferente do vale-transporte, oferecer ou não fica a critério da família. Se a família optar por oferecer, a lei veda descontar esse valor do salário da funcionária, e o benefício não tem natureza salarial (não gera FGTS/INSS sobre ele).
Passo 4 — Calcule a provisão de férias
Todo empregado doméstico tem direito a férias anuais acrescidas de um terço constitucional. Como esse pagamento acontece apenas uma vez por ano, é recomendável reservar mensalmente esse valor.
| Cálculo | Valor |
|---|---|
| Salário | R$ 2.000,00 |
| Adicional de 1/3 | R$ 666,67 |
| Total das férias | R$ 2.666,67 |
| ÷ 12 meses = provisão mensal | R$ 222,22 |
Passo 5 — Calcule a provisão do 13º salário
Como o 13º será pago apenas no final do ano, é recomendável separar esse valor mensalmente.
| Cálculo | Valor |
|---|---|
| Salário ÷ 12 meses | R$ 166,67 |
Passo 6 — Custo mensal total
| Componente | Valor |
|---|---|
| Salário | R$ 2.000,00 |
| Encargos | R$ 400,00 |
| Vale-transporte (quando devido — Passo 3) | R$ 180,00 |
| Provisão de férias | R$ 222,22 |
| Provisão do 13º | R$ 166,67 |
| Custo mensal aproximado | R$ 2.968,89 |
Perceba que a família continua pagando um salário de R$ 2.000,00. Mas, para manter essa contratação de forma organizada, o planejamento financeiro deve considerar aproximadamente R$ 2.970,00 por mês neste exemplo com vale-transporte — ou R$ 2.790,00 se a contratação não tiver esse direito.
❌ Considerar apenas o salário. ❌ Esquecer das férias. ❌ Esquecer do 13º salário. ❌ Não reservar recursos para os encargos mensais. ❌ Esquecer do vale-transporte, quando devido. ❌ Descobrir o custo real apenas depois da contratação.
O Ponto Doméstico calcula automaticamente FGTS, INSS, 13º e férias proporcionais a cada mês. Você acompanha o custo real em tempo real, sem planilha e sem surpresa.
✔ O salário representa apenas uma parte do custo da contratação.
✔ Encargos trabalhistas também precisam ser considerados.
✔ Férias e 13º salário devem ser planejados desde o primeiro mês.
✔ O vale-transporte, quando devido, é um custo real além do salário — o vale-refeição não é obrigatório.
✔ Com o planejamento completo da Jornada 1, você está pronto para encontrar a profissional certa.
Antes de seguir para a Jornada 2, confirme:
☐ Calculei o custo mensal completo da contratação?
☐ Considerei encargos, vale-transporte (quando aplicável), férias e 13º além do salário?
☐ O orçamento familiar comporta essa contratação?
☐ Estou preparado para iniciar a busca pela profissional?
Na Jornada 2 você aprenderá onde encontrar boas candidatas, como divulgar sua vaga, analisar currículos, entrevistar candidatas e escolher a profissional mais adequada para a sua família.